domingo, 5 de junho de 2011

António Zambujo em Beja

Não é novidade, ele é de Beja, mas quando canta em Beja, canta e encanta a dobrar! Isso ele provou há pouco no nosso Pax Julia num espectáculo englobado no Festival do Amor! Apresentou um novo projecto designado como “Os da Cidade” (cada um da sua, claro), foram cerca de uma dúzia de canções bem apresentadas, maioritariamente calminhas, grande parte delas completamente novas e outras de autores portugueses conhecidos.

Pois, quem estava à espera de fado estava enganado. Claro, quem estava à espera de ouvir essa maneira de cantar em português se devia ter informado...também não o fiz, mas não me arrependi, muito pelo contrário. Infelizmente durante apenas pouco mais de uma hora se ouvia boa música bem portuguesa, pois outra coisa não se podia esperar com nomes como Miguel Araújo Jorge (de ‘Os Azeitonas’, voz e violas várias), Ricardo Cruz (viola baixo e voz), João Salsedo (voz, piano e acordeão) e claro, do próprio António Zambujo. A canção que mais apreciei foi uma cantada pelo próprio Tó Zé (como é conhecido em Beja) que falava de um café, encostado a um bar, à beira da estrada...

Não faço ideia se esse projecto vai “terminar” num disco ou se vai ficar apenas e só por espectáculos desses. Seja como for, projectos desses têm pernas para andar, é sempre bom inovar, é sempre bom que um “típico” fadista se aventura por outras paragens, bem portuguesas, pois claro!
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segunda-feira, 23 de maio de 2011

XXIII Encontro de Coros de Beja – Resumo

Esta tarde aconteceu mais um Encontro de Coros no teatro Pax Julia da nossa cidade de Beja. Ano pós ano, o Coro de Câmara de Beja (ao qual orgulhosamente pertenço) organiza este evento onde pretende dar a conhecer aos baixo-alentejanos essa nobre arte que é o canto coral, na sua vertente designada (mais) clássica. Nestes eventos que já vão na sua vigésima terceira edição, muitos coros semelhantes ao nosso já passaram pela nossa urbe, de Portugal e Ilhas, até do estrangeiro, nomeadamente da Bélgica!

Este ano houve mais uma “aliciante”, pois o nosso coro comemora 30 anos de existência! Por isso se achou por bem convidar só coros da cidade para assinalar esse feito devidamente! O Coro do Liceu, o Coro do Carmo e o Coro Juvenil do Carmo responderam afirmativamente ao nosso convite que esta tarde subiram (mais o nosso) ao palco desse espaço cultural por excelência, apresentando cada um, cinco peças do seu repertório!

Sem menosprezar nenhum dos quatro coros bejenses penso que fora o Coro Juvenil o mais aplaudido da tarde! Deram uma cor e principalmente uma voz diferente ao evento, afinal, na juventude está o nosso futuro, e é preciso estimar essa classe da sociedade portuguesa! Devo ainda sublimar que nunca antes assistira tanta gente a um dos Encontros de Coros anteriores por nós organizados, a plateia do “Pax” estivera muito bem composta!

Seguiu-se um belo convívio com todos os participantes do Encontro num refeitório gentilmente cedido pela Câmara Municipal de Beja onde reinou a boa disposição, tão necessária nos tempos complicados em que actualmente vivemos!

Foi um belo domingo, parabéns e obrigado a todos os que lá participaram, tanto activamente no palco e na organização do evento como “passivamente” na plateia aplaudindo entusiasticamente, até “exigindo” que se repita a peça em conjunto que, como o nome indica, juntou os quatro coros no palco. Penso que foi a primeira vez em que se repetiu uma peça apresentada num Encontro desse estilo, em que a minha pessoa tenha participado, claro.
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domingo, 15 de maio de 2011

AmarAmália em Beja

Quem é que não gosta de Amália? Uns mais, outros menos, claro...confesso que fado não é o meu forte, poderá, não cresci num ambiente português, a minha primeira experiência em ouvir fado foi em 83...bem, nem vos conto! Mas, como estou ligado à música há já algum tempo começo a apreciar essa arte de cantar tão portuguesa cada vez mais!

Em boa hora, a Companhia Nacional de Bailado na sua “vertente” contemporânea se lembrou homenagear essa considerada maior cantora portuguesa de sempre que é Amália Rodrigues em forma de um espectáculo de dança, claro, contemporâneo, pois, tal como o nome desse grupo indica. Doze artistas (sete mulheres e 5 homens) nos remeteram a esse mundo que é o fado, dançando sublimemente a várias canções da Amália, tentando expressar o sentimento de cada uma das letras, melancólicas, ou não, com movimentos fluentes, sem parar, interligando cada um dos fado com um outro estilo de música, em meu ver, nem sempre conseguido, mas claro, quem sou eu para criticar um tão bonito espectáculo!

A plateia bem composta do Pax Julia gostou bastante, e nós também! Já actuaram em Castro Verde há umas semanas, e, para quem ainda não os viu, certamente que haverá mais actuações algures perto de nós desse bailado que quer AmarAmália. A Companhia Nacional de Bailado voltará ao nosso Pax a 25 de Junho com uma obra “descaradamente roubada” a Alexandre O’Neil designado de “Uma coisa em forma de assim”!
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domingo, 1 de maio de 2011

Coro dell’Arena di Verona em Castro Verde

O Festival Terras sem Sombra que pretende divulgar música sacra pelo Baixo Alentejo teve esta noite um dos seus pontos altos na talvez mais bonita igreja da nossa região, a Basílica Real de Castro Verde. Uma plateia completamente cheia escutou um coro vindo de Itália, mais precisamente de Verona, que apresentou duas peças completamente distintas. A primeira, contemporânea de 1971, Rhotko Chapel do compositor americano Morton Feldman, um misto de som e ruídos produzidos pelo coro, violino e percussão. A segunda, mais clássica e mais conhecida, a Via Sacra de Franz Liszt, terá sido mais do agrado do público. Como bónus, o coro presenteou os baixo-alentejanos com uma conhecida peça de Verdi, a mais aplaudida da noite.

Pessoalmente, penso que valeu a pena ter-me deslocado até Castro, mesmo que não goste de ir a só a eventos desses, mesmo sabendo, à partida, que encontrara lá gente conhecida, como aconteceu. O pessoal coral costuma deslocar-se bastante a concertos desses! E, como a primeira peça não fora do nosso agrado, por vezes, fizemos “saber” o nosso “desagrado” com pequenas “bocas”, prontamente repreendidas pela pessoa que estava à frente! Curiosamente, essa pessoa quase que não aplaudiu no final de cada parte! Para mais, por trás de mim estava sentada uma senhora já com uma certa idade, com um certo volume, batendo não raramente na minha cadeira, e emitindo sons vindos da sua boca que mais pareciam que estaria a remastigar o jantar imitando assim um certo e determinado animal de grande porte que costuma ter esse hábito por imposição digestivo! Esses sons não raramente entraram em “confronto” com os sons vindos da frente, mas, fora disso, tudo bem!

Não obstando dessas limitações pessoais, penso que o concerto fora do agrado de grande maioria das pessoas na assistência! Acho bem que existam concertos desses que divulgam músicas diferentes do que aquelas que se costuma ouvir, mesmo que não sejam do agrado de todos, como foi o meu caso, pelo menos no que diz respeito à primeira peça. Pois se todos gostariam da mesma cor, como seria a vida? Por isso, dou os mais sinceros parabéns à organização do Festival!
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domingo, 24 de abril de 2011

Vamos contar mentiras em Beja

Certo, parece mentira! Não é isso, meus amigos! Não me refiro às não comemorações cá no burgo do feriado que aí vem, mas sim, claro, das mentiras que se contaram esta noite no nosso Pax! Foram umas atrás de outras que depois pareciam verdades mal explicadas!

A sério! O “Vamos Contar Mentiras” é um assim designado Teatro de Revista que trouxe nomes consagrados ao nosso teatro bejense, como Octávio Matos e Luis Aleluia, entre outros! Por apenas 3,5€ (com desconto) ou 5€ (no Villaret são 15 a 20€...) o interessado pôde ver esta comédia adaptada para tempos mais modernos do espanhol Alfonso Paso dos anos 60, e que ficou conhecida por cá pelas mãos de Raul Solnado e Armando Cortez na mesma década. Estreado em Janeiro deste ano, a peça pretende dar um merecido tributo a esses dois já falecidos actores portugueses!

Mesmo em tempos de Páscoa, a plateia encheu quase na sua totalidade com gentes de 8 a 80, ou talvez de 3 a 100, não sei, pois é muito raro ver um evento ser visitado por tantas gerações! Avisado atempadamente que a peça não iria ter intervalo e duraria 2 horas, a minha mais-do-que-tudo e eu, lá ficámos na expectativa! Posso já adiantar que não demos pelo passar do tempo, tempo que fora muito bem empregue! Foi rir do início até ao fim! Há muito que não me ria tanto, nem eu, nem a grande parte dos espectadores, disso tenho a certeza.

Não vou entrar em pormenores sobre a peça em si! Como sabem, pouco entendo dessa arte que é o teatro. Houve erros e enganos, claro! A gafe mais “notada” foi um “engano” (nem sei se foi) de Octávio Matos quando puxava de uma pistola roubada ao padre (sim, leram bem) que estaria no seu bolso, mas, o que saia era apenas a sua mão com a qual apontava para o larápio! Os próprios actores se começaram a rir do “erro” e a plateia quase que foi abaixo! Hilariante, absolutamente delicioso, o melhor momento da noite!

Claro, os mais puristas classificam este tipo de teatro como populista, de fácil interpretação, sem estilo e sei lá mais do quê! Mas, minha gente, e daí? Nos tempos chatos e tristes que correm, peças dessas são uma lavagem da alma, um erguer da perdida boa disposição! A minha acompanhante até disse: olha, não sabia que tu choravas a rir! Mais explicações para quê? Adorei! Nem mais!
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domingo, 3 de abril de 2011

Mário Daniel em Beja

Esta noite aconteceu magia em Beja! Nada disso, meus amigos, muito frio! Falo de um espectáculo de magia no nosso Pax Julia, o ilusionista Mário Daniel “desceu” do Norte de Portugal ao Sul, para apresentar um bonito show nesta night de sábado neste palco de excelência bejense!
Certo, não apresentou nada que não se tenha já visto algures na tv, porém, numa plateia muito bem composta maioritariamente por jovens e crianças, apresentou o seu programa de uma forma bastante humorada e bem-disposta! Trouxe poucos adereços, muitas cartas e anéis, caixas e boxes e pronto! “Mandou vir” uma “brasileira” como assistente numa dessas caixas a que a certa altura apareceu um fio por baixo do vestido...terei sido o único a reparar nisso...talvez, mas não interessa. A malta jovem gostou, a malta adulta e mais “entendida” na matéria penso que também...afinal, foi puro entretenimento, é o que interessa nos tempos tristes que correm...
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sábado, 12 de março de 2011

Ensemble Contemporaneus em Beja

Pela primeira vez neste meu já longo historial de críticas a espectáculos não sei como começar. Podia iniciar este texto com o habitual, ou seja, apareceu pouca gente para ver o Ensemble Contemporaneus no nosso Pax Julia – Teatro Municipal, ou então, que fora um concerto diferente a tudo que já tinha visto, ou ainda, que há bons compositores de música erudita em Portugal. Tudo isso é verdade! Certo, é um concerto pouco chamativo para o grande público, é dirigido para um espectador específico, àquele que tem a ver com este tipo de música, porém, pouca gente das forças vivas musicais da nossa cidade por lá apareceu, curiosamente. Certo, é português, e é contemporâneo, tal como o nome do conjunto indica. Ou seja, é música nova, talvez algo estranha, sem melodia que se pegue, o que nem sempre é mau, em meu ver. É um sinal que a música erudita actual existe em Portugal, algo que talvez não se estivesse à espera. Certo, ao ouvir a expressão “música clássica” se pensa logo nas grandes obras de Mozart, Bach e companhia, mas não, existe música moderna deste estilo, escrita por portugueses e para portugueses, e não só!

Pronto, já entenderam, andei um pouco aos “papéis” neste concerto. Certo, foram peças bem tocadas, tirando os minutos iniciais, como já vai sendo habitual neste palco. Maioritariamente jovens músicos, apresentaram quatro obras de outros tantos compositores portugueses da actualidade, a primeira fora mesmo em estreia absoluta, com o próprio compositor presente na plateia. Foram quatro peças bastante diferentes entre si, com uma diversidade surpreendente, quase a roçar ao virtuosismo, fazendo aparecer várias sensações neste palco, contemporâneo, portanto. Certo, neste tipo de música já fora quase tudo inventado, pois quem hoje em dia pega num papel vazio tem de compor algo de novo, tentando surpreender com algo nunca visto. Pois o tempo dirá se daqui a algumas dezenas de anos esses compositores ainda serão recordados. Pois então, estamos a falar de música clássica, antiga portanto, mas também contemporânea!
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domingo, 6 de março de 2011

Boss AC em Beja

Estou a escrever estas linhas, ainda em choque com o que aconteceu agora mesmo no Festival da Canção RTP! Realmente, de cantar esta canção tem nada, vamos fazer cá uma figura na Alemanha, enfim!
Vamos ao que interessa aqui, à música, à boa música, portuguesa com certeza! O músico de origens cabo-verdianas Boss AC esteve esta noite no nosso Pax Julia – Teatro Municipal a proporcionar aos bejenses uma excelente actuação! Foi algo bastante diferente do que estava à espera, em todos os níveis. Foi certamente dos espectáculos que vi que mais interligação com o público teve, com muitas explicações por parte do cantor, sempre bem enquadradas, e claro, muitos incentivos para que esse mesmo público cantasse com ele as canções mais conhecidas.
Devo confessar que não sou propriamente fã do estilo do Boss AC situado algo entre Hip Hop e Rap, gosto mais do estilo americano, mas fiquei agradavelmente surpreendido, pois foi uma actuação quase intimista, muito bem conseguida!
Os seus músicos estiveram em bom plano também, tal como o seu companheiro de luta TC (para usar a “nova” expressão “festivalista”). Até foi “buscar” três elementos do público para cantarem com eles, considero este facto altamente positivo. Acerca do público, inicialmente temia que seria mais um daqueles casos de “a sala é grande demais para Beja”, mas, a plateia se foi completando durante as primeiras músicas do AC, a juventude chegara algo atrasada!
Pois, como disse, não sou propriamente fã dele, mas já o ouvi várias vezes na TV, facto que me levou em primeiro lugar a visitá-lo. Digo bem, pois ele considera nós público os seus amigos, a maneira de ser dele bem o comprova, e as suas longas letras contam da vida, nos dão preciosas lições, essencialmente! É quase um poeta pregador!
Resumidamente, mesmo com uma avaria técnica no fim da noite (a mesa das luzes deixou de funcionar) que parecia fazer parte do show, foi uma noite digna de se ver e ouvir, adorei!
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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Só Nós Dois...

Quase que podia ser assim...estou a delirar, claro, não liguem! Pois esta noite se apresentou uma das por mim consideradas melhores vozes da cena musical portuguesa no nosso Pax Julia – Teatro Municipal, pequena de estatura (adoro...) mas grande na voz! A Anabela cantou maioritariamente canções do seu último álbum ‘Nós’ que, como é sabido, pretende recordar músicas de autores e cantores portugueses bastante conhecidas dos anos 50, 60 e 70, como esse ‘Só nós dois’. Fez-se acompanhar por cinco músicos de boa qualidade, quase recordando um “quinteto” de Jazz, aliás, a maior parte dessas músicas apresentadas desta noite eram “ajazzetadas”, levaram uma nova roupagem, talvez para se adequar melhor à voz dela, ou à modernidade, não sei.

O que sei que vou deixar de dizer aqui nestas minhas críticas a espectáculos que aparecera pouca gente para o assistir! Vou referir que o auditório do Pax é grande demais para a nossa cidade e para certo e determinado tipo de evento, porque pouco mais de 100 espectadores quase que se perdiam ali, até a própria Anabela frisou que eram poucos, mas bons. Pois, faz-me alguma confusão o quê é que passará pela cabeça de uma artista deste gabarito, habituada a grandes sucessos, quando entra num palco e vê tão pouca gente a assistir...talvez por isso ela entrara algo hesitante na primeira peça, mas cedo se reencontrara e nos proporcionou um excelente espectáculo, sempre tentando envolver o público, fazê-lo cantar as conhecidas músicas que apresentara, e quase sempre o conseguiu!

Continuando com esta minha “crítica” vos devo confessar duas coisas! Primeiro – este concerto foi para mim do melhor que já ali assisti, não me perguntem porquê. Certo, o repertório é de “antes do meu tempo”, mas conhecidíssimo, até por mim, alemão caído de pára-quedas em Portugal nos anos 80. Talvez por se ter tratado quase de um concerto “intimista”, por apreciar particularmente essa cantora, sei lá...e segundo, fui lá por ter sido “incentivado” por amigos no facebook, pois, como sabem, não gosto muito de ir sozinho a este tipo de espectáculos...é como a Anabela cantou também e dizendo no fim dessa canção...vocês sabem lá!
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sábado, 22 de janeiro de 2011

1 – 2 – 3 e Duas Irmãs...

Tem estado em cena, na Sala Estúdio do nosso Pax Julia – Teatro Municipal, uma peça dos bejenses Lendias D’Encantar designada como Duas Irmãs, interpretada pelas actrizes Ana Ademar e Marisela Terra com textos de António Manuel Revez.

É uma história que poderia acontecer em qualquer lado, em qualquer altura...duas irmãs, aparentemente bastante diferentes entre si, foram “chamadas” para viver na casa onde cresceram por vontade da sua recém-falecida mãe. Mas, de tão diferentes que são (advogada e artista), com o desenrolar da peça se vão aproximando...afinal têm algo em comum – uma infância nada feliz com um pai abusador e uma mãe conformada e deprimida; de acusações mútuas e da quase violência física passam a entender-se nessa desgraça que fora a sua juventude, e, por fim, as duas “despem” a faceta da confrontação e saem mudadas dessa casa, felizes por se terem reencontrado – por vontade da mãe delas. Tal como disse, uma história que podia acontecer em qualquer sítio!

À saída fiquei com a estranha sensação que as espectadoras que estavam em maioria olharam para os poucos espectadores de uma forma estranha...pudera, com uma história dessas em “mente”...

Falta falar “delas”, as duas “manas”, a Ana e a Marisela. Penso que nunca tinha visto actuar essa última, se foi, peço desculpas. Penso que estiveram bem, penso pois pouco entendo de teatro...eu gostei, e é isso que aqui neste texto interessa.

Última sessão, amanhã, sábado, às 22h00. Custo de entrada: 3€
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domingo, 9 de janeiro de 2011

Concerto de Reis em Beja

Há pouco aconteceu mais um Concerto de Reis na Igreja do Carmo em Beja, organizado pelo Coro do Carmo da nossa cidade. Com esta igreja repleta de gente se ouviram na primeira parte Músicas de Natal do Mundo, como, por exemplo, o conhecido 'Joy to the World' de Händel ou 'A las doce de la noche' do Chile, entre outros. Depois do intervalo os visitantes puderam escutar a Músicas de Natal de Portugal, algumas delas harmonizadas pelo próprio Padre António Cartageno a quem coube naturalmente também a direcção do espectáculo. Na maior parte dessas peças intervieram instrumentistas tocando órgão, violino, clarinete, trompete e violas. Em duas peças cantou uma solista saída do próprio grupo, uma jovem já conhecida através da Cantata que inaugurou a nova Igreja de Fátima.

Pois, não podia faltar a esse concerto dado pelos meus amigos do Coro do Carmo. Já participei pessoalmente várias vezes em duas das três cantatas compostas por Padre Cartageno, espero cantar de novo um dia com este grupo que é de boa qualidade, como os 28 elementos que estiveram no altar da igreja esta tarde bem comprovaram. Gostei bastante desse concerto, a audiência penso que também. O que menos gostei foi ter que aturar as “gralhas” atrás de mim, há gente que pensa que está num café – enfim!
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Orquestra Sinfónica Juvenil no Pax Julia – Teatro Municipal

Antes de começar com essa minha crónica (traço) crítica sobre esse espectáculo sinto-me na obrigação em deixar aqui um esclarecimento. Essas intervenções que aqui escrevo espelham apenas e só a minha opinião sobre os assuntos tratados, sejam sobre espectáculos que visito, participo ou que vejo na televisão. É por isso que por baixo dos textos aparece a etiqueta “opinião”, além de mais, isso é apenas e só um blog pessoal, peeenso eu de que!

A Orquestra Sinfónica Juvenil existe desde 1973 e esteve esta noite em palco no nosso Pax Julia – Teatro Municipal num assim designado Concerto de Ano Novo – Gala de Ópera. Dos actualmente 90 elementos desse conjunto apareceram em Beja cerca de 50 para tocar peças de compositores italianos, de Verdi, Rossini e Puccini. Os solistas convidados foram Sandra Medeiros (soprano) e Armando Possante (barítono), a direcção coube a Christopher Bochmann de nacionalidade britânica mas radicado há cerca de três décadas em Portugal, maestro que, como curiosidade, dirige sem batuta!

Mas, minha gente, tão poucos espectadores? Será possível que música dessa qualidade e gabarito atraia tão poucas pessoas? Realmente, por vezes me questiono para quê é que existe um teatro como este numa cidade como a nossa! Um concerto desses merecia muita mais atenção por parte dos bejenses e daqueles que vivem nos arredores da cidade, digo eu!

Claro que as cerca de cinco dezenas de gente maioritariamente jovens não se deixaram intimidar por tão fraca assistência, proporcionaram um excelente espectáculo, mesmo com aparentemente tão pouca experiência nessas andanças. A música fluía tão bem, tão bem que por vezes me sentia “remetido” numa qualquer sala de ópera italiana...gostei bastante! Foi uma autêntica lavagem de alma, adorei! Os solistas também estiveram em bom plano, melhor ela do que ele, não sei se a escolha dele teria sido a mais acertada para esse tipo de repertório, além de ter pouca “pujança” na voz abusava um pouco, em minha opinião, do vibrato. Certo, a música erudita italiana usa bastante essa forma de cantar, mas não é do meu gosto pessoal. A Soprano, não. Muito mais clara e definida na colocação da voz, surpreendeu a partir da 2ª peça em que interveio com uma voz bastante forte e bonita. Certo, é uma cantora mais conceituada do que o barítono da noite, mas, num concerto em que intervêm dois solistas é quase como obrigatório fazer-se uma comparação.

Resta, para ser do conhecimento dos meus estimados leitores, colocar links de páginas na net sobre alguns dos intervenientes da noite:

Sandra Medeiros
Christopher Bochmann
Orquestra Sinfónica Juvenil

Só mais uma dúvida: Como é que se sabe, num concerto desses, se a orquestra irá tocar, ou melhor, estará disposta a tocar uma peça extra, ou não???
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domingo, 19 de dezembro de 2010

Um Concerto para o Natal – Resumo

Após uma looonga noite bem dormida chegou a hora (e a disposição) em escrever aqui um resumo o que foi a noite de ontem no nosso Pax Julia – Teatro Municipal, noite que naturalmente fora antecedida por inúmeros ensaios e preparativos (cansativos) no que toca à organização do evento.

Mesmo com o mau tempo lá fora, mais de 500 (!) pessoas se deslocaram ao teatro para assistir a um espectáculo de, pode assim dizer-se, música ligeira, já que a Broadway é tudo menos do que música erudita ou clássica, embora tudo que se passara há muitas décadas naturalmente já se pode classificar dessa forma.

Já não me vou alongar muito sobre a parte organizativa, quem está dentro do assunto sabe o que isso significa. Enquanto ao espectáculo em si fora antecedido por uma tarde preenchida pelo ensaio geral, bastante cansativo mas necessário para que à noite tudo correra pelo melhor. É que, a “junção” entre coro e orquestra só acontece nessa tarde, para não esquecer dos solistas Sofia Vitória e Manuel Rebelo que, mesmo já tendo tido um ensaio em Lisboa com essa mesma Orquestra de Câmara Lusitânia se têm de habituar à sala do teatro e claro, também aos “marmelos” dos coralistas!

Após mais de 4 (!) horas de ensaio geral, tudo estava aposto para a “grande noite”. Mesmo estando “habituadíssimo” em pisar o palco do Pax, a entrada é sempre antecedida por um nervosismo miudinho, as cabeças estão cheias das inúmeras boas indicações do maestro até, finalmente, as entusiásticas palmas dos espectadores nos “acordam” para a realidade e para a responsabilidade de “dar o litro”, de dar o nosso melhor, para bem da cidade e da música! Porém, o maestro se sentiu na obrigação em dar uma palavra sobre o falecimento do seu amigo e colega Rui Sousa Santos, falecido horas antes, pessoa que há quase 30 anos o desafiou em criar um coro, coro esse que ainda hoje perdura, o nosso Coro de Câmara de Beja...

Falando agora sobre o espectáculo em si, penso que todas as partes estiveram em bom plano, tirando umas ou outras falhazitas, claro, afinal, somos amadores. A orquestra não falhou, são “matemáticos”, são músicos penso que todos profissionais, não se deixam influenciar por nada, e ainda bem. Nós coro, claro, não somos bem assim, mas demos o nosso melhor. Falhei num pormenor, não apertei bem os parafusos da estante metálica da solista, e ao pedir desculpas recebi umas simpáticas e perdoarias palavras da vencedora da 2ª edição da OT da RTP, uma pessoa muito sorridente e com uma voz fina mas decidida que deu um brilho especial à noite com a sua interpretação. O Manuel Rebelo já conhecíamos, uma pessoa que se dá bem com este tipo de peças. Os dois penso que formaram um bonito par frente aos espectadores e foram bastante aplaudidas. No fim, os “confetti’s” fizeram o resto, “explodiram” por cima das cabeças das gentes no palco. Ao contrário de anos anteriores, só repetimos uma peça, talvez por respeito ao falecido colega do maestro.

Já em estilo de agradecimento, uma palavra sobre esse nosso maestro Pedro Vasconcelos que, ano pôs ano “perde” inúmeras horas em ensaios e escritas de partituras, tudo pelo bem da cidade de Beja e da música em geral. É necessário ter uma grande persistência e até paciência para passar ano pós ano pelo mesmo, sem nunca se cansar, e, quase à última de hora ser confrontado com a morte de um chegado amigo, mesmo assim ter forças para apresentar e dirigir dignamente um espectáculo desses! É obra! Muito obrigado maestro!

Ainda uma última palavra sobre o Director do Pax Julia, o amigo da cultura José Filipe Murteira. Uma pessoa estranhamente criticado por gente que, penso eu, apenas criticam por criticar, esteve sempre incansável em trazer, mesmo em tempos de crise, espectáculos de renome a Beja e aos bejenses. É difícil consolidar qualidade e crise financeira, e penso que o conseguiu, de uma forma, como disse, nem sempre bem compreendida por muitos que vêem nele “apenas” alguém ligado ao tempo “do antigamente”, algo que ele sempre rejeitou! Aliás, alguém que trabalha pela cultura e pelo bem-estar social não pode ter partido, não pode ser “etiquetado” por isto ou aquilo, peeenso eu de que. Digo isso tudo porquê? Certo, em estilo de desabafo, e claro, por ele estar de saída. Irá ser substituído, tanto quanto sei, por uma “solução interna”, por outra pessoa bem dentro da cultura bejense, por alguém que também ajuda pôr Beja no mapa cultural, por um dos elementos que constituem os Virgem Suta, o Nuno Figueiredo. Espero que continue o bom trabalho do ainda director do teatro e consiga também consolidar as diversas entidades culturais de Beja para que se possa apresentar bons espectáculos aos bejenses que tanto os merecem.

Restam os agradecimentos às pessoas e entidades que ajudaram que se possa realizar mais Um Concerto para o Natal:
- À Câmara Municipal de Beja pelos apoios monetários, pela disponibilização do teatro e pela impressão dos cartazes e folhas de sala, impressões feitas pelo GIRP que, mesmo reduzidos em número de pessoal, conseguiram o quase impossível em os imprimir em tempo e horas!
- Ao pessoal do Pax que, ano pôs ano nos ajudam que a nossa música chegue de boa qualidade aos espectadores.
- Aos apoios monetários continuados da COOP (única grande superfície de Beja que se preocupa com a cultura bejense!!) e ao apoio pontual para esse concerto da ACOS e da Fundação Inatel.
- À comunicação social regional escrita e falada pela divulgação do evento
- Aos nossos fiéis espectadores que ano pôs ano nos brindam com a sua presença nesses eventos
- E claro, a todos os amigos, sócios e coralistas do coro pela realização e bom desenrolar do evento, entre eles, a destacar os criadores da decoração do palco, a Isabel e Zé António da loja de antiguidades Santa Maria, situado perto do edifício que alberga as Juntas de Freguesias de Beja.

Até pró ano (se ainda por cá estiver...)
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domingo, 12 de dezembro de 2010

Rodrigo Leão & Cinema Ensemble no Pax Julia - Teatro Municipal de Beja

A noite prometia... e se prometia, foi maravilhoso, tirando o fim, mas já lá vou! Deixem-me só deliciar (e a vocês também, claro) de novo com esta canção:



Num Pax Julia – Teatro Municipal completamente cheio, Rodrigo Leão e o “seu” Cinema Ensemble cantaram e encantaram mais de 600 pessoas no nosso teatro! O que mais gostei foi essa bonita junção que este grupo faz entre instrumentos clássicos de cordas e o delicado som de um acordeão (penso que) francês, acompanhado pelo piano do próprio Rodrigo Leão, e, as por mim considerados inevitáveis e menos boas “modernices” da guitarra baixo e baterias, esse último que é algo ruidoso e que provoca sempre um desafio para os técnicos de som!

Esses instrumentistas todos naturalmente necessitam de alguém que faça a parte vocal! Essa pessoa dá pelo nome de Ana Vieira que conseguiu dar um toque especial às melodias saídas dessa invulgar conjunção de instrumentos, cantando em português, espanhol, francês e até em russo, pelo menos foi o que me pareceu! Penso que grande parte dessas melodias é da autoria do próprio Rodrigo Leão que está naturalmente de parabéns! Claro que não necessita das minhas felicitações por ser um dos mais conhecidos compositores e músicos portugueses da actualidade, mesmo assim deixo aqui os meus agradecimentos por ter passado “à custa” dele uma belíssima noite!

Vida tão só, vida tão estranha – o título dessa conhecida canção serve perfeitamente de mote para iniciar este próximo parágrafo! Como sabem, não gosto de sair sozinho, mesmo que todos lá no teatro são meus amigos, mesmo que o espectáculo prometia! Ir só para um lugar repleto de gente é deprimente, e, ainda por cima, quando se vê dezenas de casais (aparentemente) felizes da vida! Estigma? Não sei... só sei que essa vida tão só, essa vida tão estranha já chateia!

Mas não interessa! Gostei de lá estar, adorei ver e ouvir o espectáculo! Permitem-me apenas gozar um pouco com os meus vizinhos de “ocasião”, não me levem a mal, já que fui (para variar) sem companhia “pude” observar melhor as gentes que me rodeou! Á minha direita, uma senhora que se encostara ao máximo à sua amiga, prima, ou irmã, não sei! Esteja descansada, sei-me comportar, fui bem-educado pelos meus pais! Além de mais, você nem faria o meu “jeito”! À minha frente uma senhora certamente acabada de sair da cabeleireira de tão alta estava a cabeça dela, ainda bem que sou ainda mais alto. À minha esquerda, alguém que só no fim vi que era uma pessoa minha conhecida talvez por ele ter chegado atrasado, a pessoa por trás de mim se deve ter chateado muito com a minha altura e, ainda por cima, abanava bastante com a minha cabeçola porque não consigo estar quieto por um minuto e porque vivo a música intensamente, peeenso eu de que!

E pronto, vamos ao menos agradável fim! Estava sentado no balcão e estranhei o movimento de uma das assistentes que por várias vezes teve que intervir em algo que só no fim me apercebi! Era alguém que insistiu em tirar fotografias, facto que é interdito como se pode ouvir em alto e bom som cada vez que se inicia um espectáculo nesse teatro! Mas não, esse senhor que, ainda por cima, é uma figura pública bem conhecida na cidade ocupando um lugar de grande responsabilidade, não se conteve e no fim insultou essa assistente fazendo-a desfazer em lágrimas. Como curiosidade, o rebento dessa figura conhecida também se meteu “ao barulho” (não sei se foram esses dois que constantemente falaram durante o concerto...) queixando-se ao pessoal do teatro sobre nem sei muito bem de quê, deixando uma queixa no livro de reclamações! Se houver consequências, posso servir de testemunho, sou “homem” para isso, porque a verdade tem que prevalecer!

E a noite prometia tanto... podia ser tão bonita... mas terminou como terminou... enfim!
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domingo, 5 de dezembro de 2010

II Espectáculo de Variedades – Resumo

Como aqui largamente anunciado, esta noite conheceu mais um Espectáculo de Variedades organizado pela Associação Cantinho dos Animais de Beja. O tempo frio que se fez neste sábado fora pouco convidativo para encontrar o caminho até ao nosso Pax Julia, mas mesmo assim cerca de centena e meia de espectadores assistiu a um bonito espectáculo.

Ao contrário do primeiro, desta vez não fiz parte da organização do evento por já não fazer parte activa da ACAB por razões que os meus ainda colegas estão perfeitamente a par. Digo ainda porque espero um dia poder voltar! Por essas razões, pouco posso adiantar sobre este 2º evento do género, posso vos apenas relatar o lado do passivo espectador da noite.

A apresentação coube ao humorista Toi Castanho. Desconhecia este homem, fez uma boa interligação entre os vários intervenientes no palco. Das 6 actuações inicialmente previstas se realizaram apenas cinco devido ao falecimento de um familiar de um dos guitarristas dos fadistas Ana e Carlos!

A abertura coube aos meus colegas e amigos do Coro do Carmo de Beja com o seu maestro Padre Cartageno. Uma actuação bonita e bem conseguida, têm é que “arranjar” mais homens, as vozes femininas (e bem bonitas, as vozes e não só...) estão claramente na maioria.

A surpresa da noite foi a Dança Oriental. Desconhecia que por cá alguém fizesse este tipo de dança! Mesmo sendo apenas de uma pessoa, essa dançarina agradou a plateia com suaves passos e delicados movimentos cheios de cor e sensualidade. Gostei!

Paulo Colaço, co-fundador dos Adiafa e professor na arte de tocar a Viola Campaniça fora o senhor que se seguiu. Mestre e divulgador deste instrumento tipicamente alentejano cantou e tocou melodias bem conhecidas do público, canções que nem sempre se podia atribuir a este tipo de aparelho.

O momento mais ternurento fora sem dúvida a actuação do Grupo Coral Feminino “As Alentejanas” de Penedo Gordo. Septuagenárias na sua maioria cantaram conhecidas canções alentejanas, muito aplaudidas e bem apresentadas. Achei particularmente engraçado que, após cada canção, “ajeitaram” o seu casaco, pois, essas ”jovens” também olham à sua aparência!

Por fim, a média de idades caiu para cerca de um terço com a Tuna da Escola Superior de Saúde de Beja. Fiquei novamente surpreendido porque esses jovens levaram quase uma completa orquestra sinfónica ao palco. Autotitulando-se de didácticos apresentaram peças típicas desse tipo de grupos, mas também melodias próprias. Para mim, que os outros me desculpem, foi a melhor actuação da noite.

Restam apenas os habituais agradecimentos: ao público que assistiu, aos grupos e pessoas singulares que subiram ao palco, ao Pax Julia – Teatro Municipal pela possibilidade de realização do evento, ao pessoal da ACAB pela organização e à comunicação social local pela divulgação!
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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Suicido-me nas palavras

Descansem! Não me vou suicidar, nem pouco mais ou menos, nem nas palavras nem em outras coisas quaisquer! Por isso, já devem ter calculado onde quero chegar com esta frase!

Certo, fui ver esta noite a peça com este título da companhia de teatro bejense Arte Pública, e, ao contrário do que pensei, gostei bastante! Costuma-se dizer que, quando se vai a algum lado com poucas expectativas se sai dali satisfeito. Boas expectativas até tinha, porque uma peça dessa companhia é sempre de qualidade, porém, o próprio título pouco prometia – puro engano!

Pouca gente aguardava sentada frente ao pequeno palco da Sala-Estúdio no “nosso” Pax, talvez por se tratar de uma reposição, não sei. A altura dessa reposição até fora bem escolhida, em meu ver, já que hoje começara o Outono, ou seja, o fim de algo belo que é o Verão, neste caso simbolizando o auge da vida, e onde começa o declínio, o aproximar do fim. E era precisamente sobre este aproximar do fim, ou seja, a morte que se falara bastante nesta noite neste sítio mantido quase totalmente de preto!

Devem pensar: mas que deprimente! Talvez...mas, se alguém neste “estado” estiver a assistir a esta peça poderá até pensar: mas que disparate! Não sou nada disso, isso não me diz respeito...e vira essa depressão no avesso quase como gozando com os textos da autoria de Ruy Belo.

Belissimamente apresentado (e por vezes até cantado) por Nuno Nogueira, consegui rever-me em muitos textos desse poeta falecido em 1976 com apenas 45 anos de idade. Gostei particularmente dos textos sobre crianças, casas e árvores. Criança, claro, continuo a ser uma, já que nasci no dia deles. Casas, lugares de gente pobre, locais que apenas gente pobre entende, e como entendi esse texto. Já tive casa, e quando saí dessa casa ela parecia não ter nada gostado desse facto, cada vez que por lá passei parecia querer falar comigo, e, só na altura em que assinei um certo e determinado papel essa “conversa” parecia ter estagnado...

Árvores, claro! Adoro árvores! Para mim, tanto como para este poeta desaparecido cedo demais, simbolizam a vida, e cada árvore que se corta é um assassinato! E também diz que cada árvore é tanto árvore que só se pode chamar árvore a uma árvore – adorei essa frase (penso que era mais ou menos assim...)

Pronto, regressando “à terra” e voltando ao que está escrito ali em baixo como “etiqueta” – deve ser a única peça dessa companhia onde aparece a palavra tourada – mas isso já são outras histórias. E, mais um pequeno reparo...a música não necessitava de ser tão amplificada, houve alturas em que não se entendia o que o performer dizia, ou então, oiço bem demais (é verdade, até fora comprovado em testes no meu tempo de tropa)! Uma última palavra ainda para esses músicos, malta da “pesada” que estive em bom plano também!

Amanhã é o último dia desta peça apresentada como sendo uma performance poética e musical, ainda podem comprovar se tenho razão, ou não!
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domingo, 6 de junho de 2010

XXII Encontro de Coros de Beja - II

Esta noite, o Coro de Câmara de Beja realizou mais um Encontro de Coros de Beja, um concerto anual que já vai na sua vigésima segunda edição! Como em todos os anos, são convidados para este tipo de eventos normalmente 2 coros ou grupos corais, quase sempre coros do mesmo estilo do nosso, ou seja, coros de câmara de 4 naipes, e este ano a escolha recaiu para um grupo de Estremoz e outro de Tavira, como já aqui fora referido. Tanto num como o noutro já tivemos a honra em participar há um e dois anos, respectivamente, em Encontros de Coros semelhantes, realizados nas respectivas localidades.

Sobre o concerto desta noite pouco vos posso dizer já que saí logo após a nossa actuação para ajudar na preparação da nossa ceia, um jantar-convívio, realizado no refeitório da CMB amavelmente cedido pela nossa autarquia para esse fim. O que posso dizer, isso sim, que colegas meus relataram que os restantes coros tiveram em bom plano e a infelizmente algo fraca audiência gostou bastante. Como crítica devo realçar que é estranho que o público bejense não se interesse mais por eventos como o desta noite, e, ainda por cima, com entrada livre. E é assim que tentamos dar mais alegria à Cidade de Beja, ou melhor, teimamos em organizar eventos que tragam algo diferente à Capital do Baixo Alentejo, e é assim que continuaremos...
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sexta-feira, 28 de maio de 2010

Espectáculo de Solidariedade

Tal como largamente anunciado, se realizou esta noite no nosso Pax Julia – Teatro Municipal um espectáculo de solidariedade a favor dos Bombeiros Voluntários de Beja. Organizado por alunos do 12º ano do Liceu da nossa cidade levou cerca de 300 espectadores ao teatro e penso que ficaram satisfeitos com o que lhes fora apresentado em palco.

Não é fácil organizar um evento desses, ainda mais quando se trata de “moços” de 17 ou 18 anos de idade. Fizeram o que puderam, e penso que o conseguiram de uma forma bastante satisfatória, tirando a confusão inicial com o alinhamento da noite, facto que criou alguns problemas no seio do nosso coro, problemas no entanto rapidamente resolvidas – enfim, somos gente adulta, civilizada e compreensível!

A noite se iniciou com o conhecido humorista bejense Jorge Serafim que animou a plateia de que forma, não parámos de rir! É, de facto e sem qualquer dúvida um dos maiores humoristas de Portugal! Seguiu-se uma apresentação de Danças de Salão, um par da Capricho Bejense mostrou de uma forma bonita e muito fluente aquela linda arte que é a dança! No fim da primeira parte actuou o recentemente criado Coro do Liceu sob liderança do maestro Jaime Branco. Como somos “entendidos” na matéria ficamos agradavelmente surpreendidos pela boa qualidade e afinação deste novo agrupamento coral! Continuem assim!

Após o intervalo se seguiu uma peça (penso que) infantil de nome “O Principezinho”, digo que penso que porque naturalmente não tivemos a oportunidade em assistir já que aguardamos a nossa vez nos bastidores do palco, não sem antes ter “aquecidos” as nossas vozes e ter efectuado um curto mas bem-disposto ensaio! Depois, já no palco, penso que estivemos em bom plano. Apresentámos 5 peças, a última dos quais em “estreia mundial”, uma adaptação da canção “Cinema Paraíso” de Ennio Morricone para coro de 4 naipes, sublimemente modificado pelo nosso maestro Pedro Vasconcelos!

Em soma, penso que foi uma noite bonita, uma noite de solidariedade, uma noite de puro civismo e entreajuda! Os “moçoilos” do Liceu estão de parabéns!
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sábado, 20 de fevereiro de 2010

Showcase - Fernando Pardal II

O tempo gélido que se fez sentir esta noite não convidava mesmo nada em sair de casa, mas não me arrependi absolutamente nada de me ter deslocado à Biblioteca Municipal para assistir a mais uma edição do evento “Beja dá lhe música”, também designado como “Showcase” em que são convidados artistas bejenses para ali dar a conhecer os seus dotes musicais. E, esta noite, como largamente anunciado, foi a vez de Fernando Pardal apresentar as suas canções!


(foto SK)
Certo, e para não me repetir, a Cafetaria deste espaço cultural da nossa cidade não é o lugar ideal para concertos musicais. Porém, para este tipo de actuações como o desta noite penso que até seja o ideal porque o público, sem dúvida, se sente mais perto do artista que tem à sua frente, consegue ter uma melhor interligação com ele do que num espaço mais amplo e estéril, o outro lado da moeda, pois claro, é que não é necessário muito desse público para esgotar o espaço num instante!

Vamos mas é falar do artista. Infelizmente pouco conhecido da população bejense em geral, surpreendeu a mim e certamente a maior parte dos espectadores com as suas canções. Conheço-o de “andanças” de tempos passados, mas não fazia ideia que tipo de música faz, e muito menos sabia da boa qualidade das suas canções. Sei que “louvo” muitas vezes em demasia os artistas que “critico” aqui nas minhas opiniões sobre espectáculos musicais que visito, mas não tenho vergonha em dizer quando gosto de algo, e gostei bastante, muito mesmo!

No fim, ao dar-lhe os parabéns, lhe disse que ele me lembra ao meu cantor favorito da língua alemã, ao austríaco Wolfgang Ambros, pelo estilo intervencionista e pela à vontade como se apresenta ao público. Não sei bem porquê é que esse nome me veio à cabeça, talvez por esse austríaco também, como o Fernando, compor as suas músicas e por escolher letras de outros autores, não sei. Só sei que esta noite se ouviram várias canções de vários estilos, bastante bem interpretados e acompanhados apenas pela sua guitarra, como vários poemas de vários autores, musicados, como disse, por ele próprio. Já no fim, teve a companhia do meu amigo Luis Carlos na sua “steel guitar” interpretando duas músicas um pouco mais “rockeiras”. Estão, sem dúvida, de parabéns, o Fernando, e no fim, também o Luis pela excelente actuação desta noite!

Só mais uma coisa. Como sabem, ir sozinho a um evento não é muito fácil! Mas ali, não é! Porque encontro sempre gente amiga e conhecida para dar um papo sobre tudo e mais alguma coisa, e no fim se cumprimenta outras tantas gentes conhecidas e amigas. É muito confortante, podem crer! Mas, também dá para conhecer gente nova, como um emigrante de Cabo Verde radicado em Beja há cerca de 7 anos que pretende criar uma associação de emigrantes! Quem sabe se não me vou meter em mais uma actividade “extra-curricular” já que tenho uma vasta experiência de como é viver num país (já não tão) estrangeiro! A ver, vamos...
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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Showcase - Coro de Câmara de Beja II

Quando se fala sobre espectáculos a partir do lado do espectador é mais fácil do que quando se faz parte dele. Porque, do lado do espectador se consegue manter um lado crítico e independente, e falar da “própria” casa é mais difícil.

Pois então, o “meu” Coro de Câmara de Beja esteve esta noite presente na Biblioteca Municipal de Beja na assim chamada iniciativa “Beja dá-lhe música”. São, como já tinha aqui referido, concertos “informais”, um “Showcase”, ou seja, é uma pequena amostra o que cada agrupamento presente nestes eventos consegue fazer. E assim foi! Apresentámos 6 peças, cada uma fora explicada exaustivamente pelo maestro Pedro Vasconcelos. A essa nossa actuação antecedeu uma entrevista com a Ana Freitas da Rádio Voz da Planície ao maestro, também bastante informal.

Penso que estivemos em bom plano, penso que demos boa conta do recado. Claro que as condições acústicas da cafetaria desse lugar cultural bejense não são as ideais, mas a boa disposição criada principalmente com essa entrevista e o bastante público presente facilitou bastante a nossa tarefa!

Como disse, apresentámos 6 peças, de variados estilos. Todos correram bem, até o por mim”criticado” Blue Moon saiu muitíssimo bem. Talvez se recordem que esta peça no Concerto para o Natal, com Orquestra, fora um “desastre”, mas ali, nesse lugar acolhedor, correra às mil maravilhas! Iniciámos a noite com uma peça considerada clássica, o Carmen Amicitiae, do século XVII, que é, como o nome já indica, cantada em latim. Completamente diferente seria a seguinte, bem alentejana, que curiosamente tem dois nomes. Tanto se pode chamar de Canção Alentejana ou como Fui-te ver, ‘stavas lavando. Um ponto alto é sempre o “nosso” This Train, um espiritual negro muito bem-disposto em que, no início e no fim da peça, imitamos um comboio!

Em quarto lugar se apresentou a minha preferida, ou uma das minhas preferidas, o tango argentino de Carlos Gardel, o fabuloso El dia que me quieras, uma peça romântica com uma excepção, porque partes desta peça são apresentadas por um dos nossos coralistas, pelo nosso amigo Gaitinha que, após essa peça “leva” sempre um aplauso extra, merecidamente! Não sei como é ele como advogado, mas cantar, lá isso ele sabe! Em penúltimo cantámos o acima referido Blue Moon, e por fim o espectacular Gabriel’s Oboe de Ennio Morricone, uma melodia do filme A Missão, peça que quase naturalmente “tivemos” que repetir, com muito gosto, diga-se de passagem!

Em resumo, penso que conseguimos realizar um bom evento, o inúmero público adorou, até houve por lá gente que nos ouvira mesmo pela primeira vez e ficaram fãs! E, como devem calcular, como em tudo, é bom que sejamos reconhecidos, porque isso nos dá forças para continuar!
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