domingo, 22 de outubro de 2006

Histórias da minha Vida IV

Após algumas semanas de ausência, ou de pausa, encontrei algum tempo hoje para dar continuidade às histórias da minha vida. Vou continuar a falar nesta “edição” sobre a minha vida na segunda morada que tive, em Eislingen/Fils. Tal como já tinha dito, são tantas e tantas as recordações nesta terra que vou ter que ficar por aqui durante algum tempo.

Penso que qualquer adulto se lembra quando teve o seu primeiro grande susto ou o primeiro choque. Aconteceu no Natal de 64 ou 65, não sei bem. Passeava com a minha mãe pela vila. Entrámos num supermercado a comprar coisas para o Natal, claro. Bem, certamente eu era um chatinho e ela comprou-me um pequeno sino de chocolate. Era vermelho e tinha um fio para se poder pendurar numa árvore de Natal. Ao sair atravessámos a rua numa passadeira e sem querer deixei cair o sino. Parei e chamei a minha mãe à atenção. Nesse momento passou um carro e esmagou o sino. Bem, gelei! Não sei se chorei ou não, mas ficou-me na cabeça como o meu primeiro grande susto.

Quando se tem um metro de altura qualquer coisa parece enorme. Lembro-me bem dos passeios que fazíamos tanto de carro como à pé. Por incrível que pareça, até me lembro de algumas montras de lojas. Nessa vila havia um cruzamento enorme, pelo menos me parecia assim, depois desse cruzamento acabavam as casas e via-se para muito longe. Já nessa altura admirava-me o quê é que vinha depois dessa rua. Era uma espécie de uma zona industrial, tenho essa “foto” gravada na minha memória.

Nessa vila passava uma linha de comboio. Já no início dos anos 60 as locomotivas a vapor estavam em extinção, lembro-me de ter parado no carro numa passagem de nível. Passaram seis ou sete locomotivas dessas, todos acoplados. Era uma fumaraça, só visto. Barulhento e bonito ao mesmo tempo. Escusado de dizer que nunca mais na vida vi tantas locomotivas juntas, e ainda por cima a trabalhar. Depois dessa passagem de nível havia uma estação dos correios. Era um edifício quadrado, ainda me lembro dos vidros onde se efectuava o atendimento ao público. Numa dessas idas o meu pai depositou, meio a sério e meio a brincar, numa conta poupança cinco marcos para mim e para o meu irmão. Será que essa conta ainda existe? Se calhar sou rico e nem sei....

Nessa terra também me estriei em cinemas. Penso que era um filme de desenhos animados, claro. Fui lá com a minha mãe e o meu irmão. A vila é banhada por uma ribeira, tal como o nome da própria terra diz, a ribeira chama-se Fils. Curiosamente tenho apenas uma lembrança deste fio de água. Havia uma ponte para peões toda em madeira. No meio havia uma serra movida pela água da ribeira, muito barulhenta e que fazia vibrar a ponte toda. Atravessava a ponte sempre a correr porque tinha medo dessa serra.

E claro, a neve. Adorava! Ainda hoje adoro. Raramente a vejo, o que há em Portugal não é neve dessas, e só há na Serra da Estrela. Bem, numas centenas de metros de distância da vila havia uma quinta onde os meus pais costumavam de comprar ovos. Ainda me lembro de um deles me ter perguntado donde é que vinham os ovos. Cresciam nas árvores, respondi! Pois, agora é inverno e as árvores não têm folhas! É um animal. Lá fui adivinhando, adivinhando até, claro, dizer que vinham das galinhas. Coisas de crianças, pois claro.

Na próxima vez falo sobre os tempos de escola. Mas descansem, eu era uma criança bem comportada, mas as vezes....

7 Comments:

At 22 outubro, 2006 17:33, Blogger Flávio Santos said...

São acontecimentos que nos ficam na memória para sempre.
Vemos os nossos filhos crescer e lembramo-nos da nossa própria infância.

 
At 22 outubro, 2006 20:20, Blogger Zig said...

fsantos:
Obrigado pelo comentário, caro colega da taberna.

Só tenho uma filha que infelizmente não está comigo e nem a posso ver sempre que quero. Tento acompanhá-la na medida do possível.

Os tempos são outros, hoje há mais meios para ajudar o crescimento e na educação. Se são melhores ou piores, o futuro dirá.

 
At 22 outubro, 2006 20:57, Blogger Unknown said...

Como disse o Fsantos, são acontecimentos que guardamos para sempre...
Beijinho

 
At 22 outubro, 2006 22:07, Blogger Celtiberix said...

Espectacular a maneira como nos conseguimos recordar de certas coisas, não só a imagem e os sons mas mesmo os próprios cheiros.
Estás-me a desafiar para pôr umas recordaçõezinhas na azinheira, é o que é.
:)
Um abraço

 
At 22 outubro, 2006 23:54, Blogger Zig said...

cruzeiro:
Pelo menos as boas recordações ficam na memória, pelo menos eu me lembro muito mais das boas do que das más.

celtiberix:
à medida em que envelhecemos recordamos cada vez mais. Comigo pelo menos é assim.

Talvez! Como tu és da minha "geração" lembras-te certamente como é que eram os tempos aqui em Beja. Interessava-me, sim,

 
At 23 outubro, 2006 15:46, Anonymous Anónimo said...

gostei mais uma vez desta "edição" :)
é curioso que quase me pareceu estar a ver esse cruzamento e essa ponte de que falas :)

 
At 23 outubro, 2006 19:51, Blogger Zig said...

trequita:
Quando escrevo sobre estes tempo parece que estou a revivê-los de novo. Desta vez até saiu um texto bastante grande. Quando acabei, olhei à minha volta e.........

 

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