Caravan Cabaret, ou melhor - a Broadway “desceu” à cidade de Beja. O meu dia até começou estranho, muito estranho mesmo. Após ter ido buscar uma gata que se tinha “refugiado” numa loja no Continente (a sério!) por volta do meio-dia e à tarde ter ido resgatar um bonito Galgo em bastantes más condições numa escola perto da rotunda de Serpa, a noite só podia acabar bem.
Como sabem, pouco entendo de Teatro, o meu “forte” é mais a música. Por isso, cada vez que visito uma peça desse estilo começo logo, no início da noite, a pensar o quê é que vou escrever na minha “crítica”, estava até bastante preocupado com este facto! Porém, essa malta que esta noite subiu ao palco do nosso Pax me fez essa tarefa bastante simples! Foram simplesmente fantásticos, nem mais! Certo, são amadores, tanto quanto sei! Certo, se nos anúncios a este espectáculo se tivesse dito que os actores são oriundos de Lisboa, Madrid ou Rio de Janeiro ninguém notaria a diferença, e assim, pelo menos a sala enchia e não apenas por cerca de um terço! Pois então, essa minha crítica também serve para criticar as pessoas que não foram e lendo essa minha crítica ficam também a saber o quê é que perderam!
Pronto, chega de criticar, voltamos ao espectáculo. Os nove actores em palco pertencem a dois grupos de teatro, a BAAL 17 é de Serpa e o Al MaSRAH Teatro de Tavira do Algarve. O Caravan Cabaret começou no ano passado por ser um espectáculo de rua, fora entretanto aperfeiçoado para poder ser apresentado em palcos de teatro, e ainda bem, senão, a nossa cidade dificilmente teria hipótese de o ver.
Os actores começaram a “animar” os (poucos) espectadores logo antes do início das “hostilidades”, ainda no pátio e depois na plateia. Começaram como quem não quer a coisa, foram começando. Pensei por mim que não iria gostar mas estava completamente enganado! É que, por de dentro e por de trás da improvisada Caravana montada no meio do palco “saíram” inúmeras personagens, quase tudo que se possa ver num Cabaret mais “a sério” num qualquer teatro dessa famosa rua de Nova Iorque! Houve uma atrevida apresentadora, um número de circo nada “cirquense”, uma peça “romântica” muito bem conseguida com uma das minhas canções favoritas We’ve got tonight, ilusionismo, um “Entertainer” sem o ser e sei lá mais o quê! Tudo muito bem “intercalado” para mudar os adereços em palco ou com um pára-quedas desactivado ou então com um curto sketch intermédio. É que, só levando algo para anotar me lembraria de todo. Pois, no fim, algo que os espectadores ansiaram, o momento “Moulin Rouge”, a famosa cena das cadeiras, um “sonho” que já se sonhara nos anos 30! Quando o momento estava quase “consumido” apareceu a ASAE! Nem mais! Só que, foram imediatamente desmobilizados e depois, o momento mais divertido da noite – os “agentes” da ASAE transformaram-se em dançarinos de uma qualquer “gay-bar”, absolutamente delicioso! A seguir, um verdadeiro momento atrevido – não vi bem se era mesmo a sério – estava lá mais atrás – tenho que mudar de óculos!
Resumindo, dou os meus mais sinceros parabéns a esses dois grupos de teatro! Conseguiram com relativamente poucos meios e muita, mas mesmo muita imaginação montar um bonito e engraçado espectáculo de quase duas horas! Excelente!
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