segunda-feira, 21 de maio de 2007

Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi p'ra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... p'ra me encontrar...

(Florbela Espanca)

2 Comments:

At 23 maio, 2007 20:43, Anonymous Anónimo said...

Caro Zig
Belo poema para ser cantado pelo vosso coro, ou então este, também dela
ARVORES DO ALENTEJO
Horas mortas... curvadas aos pés do Monte
A planície é um brasido... e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!
E quando, manhã alta, o sol postonte
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!
Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!
Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
- Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de água! !

Oiça a versão musicada para fado e cantada por Teresa da Silva Carvalho (se quiser empresto-lhe. É de arrepiar
Ana Cristina

 
At 23 maio, 2007 23:13, Blogger Zig said...

Ana Cristina:
Já falei com o maestro do coro sobre uma eventual inclusão de peças portuguesas no nosso próximo concerto de Natal. Ele respondeu que vai pensar nisso!

 

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